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[Crítica] Bungou Stray Dogs, a primeira temporada

[Crítica] Bungou Stray Dogs, a primeira temporada

Quando você lê as seguintes tags: “detetive”, “poderes” e “sobrenatural” na sinopse de um anime, você espera por uma trama investigativa. Um tanto quanto, inclinada a desmascarar o plano de um vilão sobrenatural e meio a confrontos se utilizando destes poderes, certo? Errado. Bungou Stray Dogs acerta na comédia, mas erra em quase todo o resto.

Dentro da trama é importante destacar a existência da Agência de Detetives Armados e a Máfia do Porto. A agência recebe casos que a polícia ou nem mesmo o exército seriam capazes de resolver. Já a Máfia do Porto é uma organização criminosa da região que acaba por entrar em confronto com a Agência de Detetives Armados. Vale a ressalva que os poderes sobrenaturais (que vão desde a anulação dos poderes alheios a projeção de ilusões) não tem uma origem. E pior, (inexplicavelmente) são de propriedade exclusiva de membros da Agência ou da Máfia.

O plot, devo admitir, me seduziu. Atsushi Nakajima, um jovem que foi expulso do orfanato vaga a beira de um rio já conformado a morrer de fome. Quando acaba salvando Osamu Dazai, que estava se afogando. Dazai, comovido pela situação de Atsushi e com o dinheiro de seu parceiro Doppo Kunikida, lhe paga uma refeição. Dazai e Kunikida estão investigando um caso de um tigre atacando pessoas e eles suspeitam que Atsushi sabe de alguma coisa.

O enredo é um dos principais problemas aqui. Cada episódio é desconexo do outro, me arriscaria a dizer que daria para assistir os episódios em qualquer ordem e a experiência seria quase a mesma. A história não leva nada a lugar nenhum, não existe aquele clímax dos últimos episódios da temporada e o arco do protagonista não existe. Bungou Stray Dogs não parece um anime por si só, parece um apanhado de episódios fillers de outro anime.

Bungou Stray Dogs é uma adaptação do mangá seinen escrita por Kafka Asagiri e ilustrado por Sango Harukawa. O anime é do estúdio Bones, tem 12 episódios e estreou em abril deste ano na temporada de primavera do Japão. Em uma tradução literal para o título do mangá seria “cães de rua literários”, isso remete a uma curiosidade bacana. Uma boa parte dos personagens tem nomes de autores da literatura (principalmente do Japão) ou de seus personagens e alguns poderes remetem a obras destes autores. Lógico, que isso tem pouco efeito aqui no ocidente, mas recentemente Dan Brown, autor dos best-sellers “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Inferno”, foi inserido como personagem no mangá, mas não deu as caras no anime ainda.

Fora a comédia, outro ponto positivo são as músicas de abertura e de encerramento. Respectivamente Trash Candy de Granrodeo e Namae wo Yobu yo de Luck Life. A animação me agradou bastante e as cenas de ação são bens executadas por conta disso. A trilha sonora não é nada extraordinária, mas é ok e não chega a desagradar.

Pouco se há a dizer sobre o protagonista Atsushi. Sendo órfão ele estranhamente em nada se interessa em saber quem são seus pais. Pouco é mostrado do orfanato em que viveu ou sob quais condições ele chegou ali. Ele é o protagonista mais genérico possível. Tem a moral de bom moço, faz o bem sem pensar muito e não tem não tem autoconfiança. A trama dá muito importância as organizações e a razão de Atsushi estar nesta trama é no mínimo preguiçosa.

Os personagens do núcleo principal são satisfatórios. Eles são extremamente excêntricos e divertidos e dão o tom de humor leve e descontraído para a trama. A relação de paternalismo meio tutor/pupilo entre Atshushi e Dazai é interessante e faz todo sentido dentro da trama. Porém é subjetiva demais e talvez deixe uma lacuna interpretativa a um expectador desavisado.

Bungou Stray Dogs é um anime repleto de falhas. Pela obra original ser um seinen, a trama parece ter sido elaborada por um criança. Apesar do roteiro medíocre, o anime divertidíssimo e tem um humor muito peculiar que me tirou umas boas risadas. Como recomendação, não o coloque a frente de sua lista de prioridades. Bungou Stray Dogs é um anime corriqueiro, pipoca, para se assistir sem compromisso.

Disponível para stream gratuitamente no Crunchyroll.

The Review

66% Bungou Stray Dogs

PRÓS: humor, cenas de ação

CONTRAS: enredo, vilão, protagonista

50%
70%
60%
80%
70%
Isaque Faverani

Isaque Faverani é um alquimista do plano de Ravnica. O seu cérebro é um turbilhão de ideias e informações, devido a sua mana de cor azul incontrolável. Por isso, ele mergulha irracionalmente em diversos conteúdos da cultura pop. Apesar de seus problemas com sua concentração, ultimamente está focado em games, animes, séries e quadrinhos.

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