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Samurais e o fascínio do Bushido

Samurais  e o fascínio do Bushido

Samurai  era um termo para a nobreza militar do xogunato. Em outras palavras, eram guerreiros japoneses que defendiam os daymio (senhores feudais).  Foi entre os séculos XII e XIV que ganharam grande importância e prestigio na sociedade. Suas principais características eram a grande disciplina, lealdade e sua grande habilidade com a katana, pontos que são extremamente destacados quando retratados na cultura pop.

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Eles fizeram parte do antigo Japão feudal. Eles surgiram aproximadamente no século X e duraram até a era Meiji. O palavra “samurai“, em japonês, significa “aquele que serve“. Portanto, como o nome já diz, a sua  função era servir com lealdade e empenho ao seu senhor feudal. Em troca, os samurais recebiam privilégios como terras e pagamentos, que normalmente eram efetuados em arroz, em uma medida denominada koku (200 litros aproximadamente).

O samurai era uma pessoa muito rígida moralmente, tanto que se seu nome fosse desonrado ele executaria o seppuku, pois em seu código de ética era preferível morrer com honra a viver sem a mesma. Harakiri, suicídio honrado de um samurai em que usa uma tanto (faca) e com ela enfia no estômago e puxa-a para cima eviscerando-o. Uma morte dolorosa e honrada. Inicialmente, os samurais eram apenas coletores de impostos e servidores civis do império. Era preciso homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e muitas vezes ir contra a vontade dos camponeses. Posteriormente, por volta do século X, foi oficializado o termo “samurai”, e este ganhou uma série de novas funções, como a militar. Nessa época, qualquer cidadão podia tornar-se um samurai, bastando para isso adestrar-se no Kobudo (artes marciais samurais), manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um senhor feudal. Assim foi até o xogunato dos Tokugawa, iniciado em 1603, quando a classe dos samurais passou a ser uma casta. Assim, o título de “samurai” começou a ser passado de pai para filho.

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O bushido tem sete princípios básicos e são eles:

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 GI – Honestidade e Justiça – Ser extremamente honesto em todos os contatos com todas as pessoas. Acreditar na justiça, não aquela vinda de outras pessoas, mas de você mesmo. Para o verdadeiro samurai, não existem meios tons nas questões envolvendo honestidade e justiça. Só existe o certo e o errado.

REI – Cortesia e Polidez – Os samurais não têm razão para serem cruéis. Eles não precisam provar sua força. Um samurai é cortês até mesmo com seus inimigos. Sem essa manifestação extrema de respeito, não somos mais do que animais. Um samurai é respeitado não só por sua força na batalha, mas também pelo modo como lida com os outros homens. A verdadeira força interior do samurai fica evidente nas horas difíceis.

YU – Coragem Heróica – Estar acima das massas de homens que tem medo de agir. Esconder-se com uma tartaruga em sua concha não é viver de maneira alguma. Um samurai deve possuir uma coragem heróica. Esta é incondicionalmente arriscada. É perigosa. É viver a vida totalmente, completamente, maravilhosamente. A coragem heróica não é cega. Ela é inteligente e forte.

MEYO – Honra – Um verdadeiro samurai só ouve a um juiz de sua honra. E este é ele mesmo. As decisões que toma e o modo como as executa são um reflexo de que você realmente é. Você não pode esconder-se de si mesmo.

JIN – Compaixão – Por meio de um treinamento intenso, o samurai se torna mais forte e rápido. Ele não é como os outros homens. Ele desenvolve um poder que deve ser usado para o bem de todos. Ele tem compaixão. Ele ajuda os outros homens em cada oportunidade. Caso uma oportunidade não surja, ele faz todo o esforço possível para encontrar uma.

MAKOTO – Sinceridade Completa – Quando um samurai diz que desempenhará uma função, pode considerar tal ação executada. Nada o ira impedir de terminar aquilo que disse que ira fazer. Ele não tem de “dar sua Palavra”. Ele não tem de “prometer”. Falar e fazer são a mesma coisa.

CHU – Lealdade e dever – Para o samurai, ter feito alguma “coisa” ou dito alguma “coisa”, significa que tal “coisa” faz parte dele. Ele é responsável por ela e por suas conseqüências. Um samurai é imensamente leal àqueles que estão sob seus cuidados. Para aqueles por quem é responsável, ele permanece ardentemente fiel.

 

Como podemos observar, o código é simples e basta força de vontade para o seguirmos. Metaforicamente o bushido pode ser usado em nosso mundo atual da mesma forma como é usado “A Arte da Guerra”, de Sun Tsu. Os mais famosos empresários utilizam “A Arte da Guerra” nos negócios, pois seus princípios se encaixam perfeitamente no mundo capitalista.

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Eles acreditavam que a vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre. Por esse motivo, ele prezavam a honra, sua imagem e o nome de seus ancestrais acima de tudo, até mesmo de sua própria vida. Para um samurai, a morte era um meio de perpertuar existência. Essa filosofia os ajudava a aumentar a eficiência e a não hesitar no campos de batalha. Alguns estudiosos acreditam que os samurais foram os mais letais guerreiros da antiguidade.

samurai_with_bow_on_horse_by_mycks-d327i0eOs nossos guerreiros samurais tinham o direito e o dever de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominado “daishô“: um verdadeiro símbolo. Era composto por uma espada pequena (wakizashi), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm. Todos os samurais dominavam o manejo do arco e flechas, e alguns usavam também bastões, lanças e outras armas mais exóticas. Eram chamados de rounin os samurais desempregados: aqueles que ainda não tinham um daimyo para servir ou quando o senhor dos mesmos morria ou era destituído do cargo.

Uma das coisas que mais fascinam os ocidentais era a determinação desses guerreiros que escolhiam uma morte honrosa no campo de batalha ao invés do fracasso. Mas quando eles eram derrotados em uma batalha, em honra, cometiam um ritual de suicídio conhecido como Harakiri ou Seppuku. Sua morte não podia ser rápida e nem indolor, muito pelo contrário, deveria ser lenta e dolorosa. Fincavam sua espada curta no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo, e terminavam por puxar a lâmina para cima. Apesar de tudo isso, eles precisavam mostrar total controle diantes das pessoas que presenciavam o ritual.

Ao tomar conhecimento desses fatos, os ocidentais geralmente avaliam os samurais apenas como guerreiros rudes e de hábitos grosseiros, o que não é verdade. Os samurais destacaram-se também pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora de combate. Eles sabiam amar tanto as artes como a esgrima, e tinham a alfabetização como parte obrigatória do currículo. Muitos eram exímios poetas, calígrafos, pintores e escultores. Algumas formas de arte como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do samurai.

O caminho espiritual também fazia parte do ideal de homem perfeito que esses guerreiros buscavam. Nessa busca os samurais descobriram o Zen-budismo, como um caminho que conduzia à calma e à harmonia.

Os samurais eram guerreiros que davam muita importância ao seu clã (família) por isso se algum membro da família do samurai morresse por assassinato ele teria que matar o assassino para assim reconquistar sua honra.

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Curiosidades

  • O Dia do Samurai é comemorado em 24 de abril, data de aniversário do mestre Sensei Jorge Kishikawa, o principal introdutor das artes samurai tradicionais em território brasileiro.
  • O Japão antigo tinha três tipos de guerreiros, os samurais, os ashigaru e os ji-samurai. Esses últimos eram samurais em tempo parcial, trabalhando como agricultores no resto do ano. Mas eles podiam “subir de cargo”. Dessa forma, quando os ji-samurai assumiam o posto de samurai em tempo integral, eles se juntavam aos ashigaru, mas não eram tão respeitados quanto os verdadeiros samurais.
  • A chegada dos missionários jesuítas no sul do Japão levou alguns senhores da classe daimyo a se converter ao cristianismo. A conversão desses indivíduos, talvez, tenha sido mais prática do que propriamente religiosa, pois os laços com o cristianismo significava se beneficiar de tecnologia militar europeia. Ser um cristão também impediu o daimyo Dom Justo Takayama de atuar como qualquer outro guerreiro samurai durante o seu reinado. Quando o Japão expulsou os missionários e forçaram os cristãos japoneses a renunciar essa religião, Takayama preferiu fugir do Japão com 300 fiéis, em vez de renunciar à sua fé. Takayama está atualmente considerado para a santidade católica.
  • Apesar dos homens dominarem geral o “trabalho” de samurai, algumas mulheres da classe bushi (da qual é associada a esses guerreiros) receberam treinamento semelhante em artes marciais e estratégias.
  • Você se lembra do filme “O Último Samurai” com o ator Tom Cruise? Nele, se retrata a história de que, em circunstâncias especiais, alguém fora do Japão poderia lutar ao lado de um samurai e até mesmo se tornar um deles. Realmente, essa prática existia, mas só podia ser concedida por líderes poderosos, como os daimyos (senhores territoriais) ou shoguns (líderes guerreiros). A história relata quatro homens ocidentais que foram concedidos com a honra especial de samurai: o aventureiro William Adams e seu colega Jan Joosten van Lodensteijn, o oficial da Marinha, Eugene Collache, e o traficante de armas Edward Schnell.
  • Por aproximadamente os últimos 250 anos de sua existência, os samurais foram lentamente se transformando em poetas, acadêmicos e burocratas. O Hagakure, possivelmente o maior livro sobre como ser um samurai, trazia as histórias de um samurai que viveu e morreu sem participar de uma única guerra.
Fonte: aqui e aqui
Yuuko Kitsune

Yuuko Kitsune é uma elfa paladina viciada em comida japonesa. Amante de diversas culturas antigas e entusiasta da cultura pop, em especial a oriental. Dentre Quadrinhos, Livros e Desenhos, é uma bem chata em suas escolhas pessoais no que envolve jogos.

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