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Jogos que você deveria ouvir #1 – Donkey Kong Country

Saudações a Todos,

Tentarei iniciar hoje uma sequência especial de matérias visando o importantíssimo trabalho de um jogo, que é sua trilha sonora, responsável por grande parte da intensidade emocional da sua experiência como jogador. Para isso, vou começar com um clássico que marcou a infância de todos nós: Donkey Kong Country.

Não tem como começar por outro jogo. Por questões de méritos, nostalgia e clubismo, seria um pecado imperdoável não começar falando de uma trilogia que está no topo da minha lista e dificilmente será derrubada. Temas inesquecíveis como Aquatic Ambiance (a fase da água do DKC1) e Stickerbrush Symphony (a fase dos espinhos de DKC2) provavelmente já devem ter tocado o coração de vocês. Porém, para deixar esta matéria ainda mais especial, fugirei um pouco do louvor aos temas tradicionais e irei abordar um outro aspecto não muito observado da trilha sonora do game: O quanto as músicas de Donkey Kong Country (o primeiro) são sombrias!

Pera, sombrias??

Sim, sombrias. É algo difícil de acreditar quando você é criança e/ou ouve o alegre tema de introdução (um remix do tema original do primeiro Donkey Kong, diga-se de passagem) e vivencia a colorida aventura de dois parceiros macacos em busca de suas bananas roubadas por um crocodilo gordo e seus capangas. Porém, ao rejogar essa obra-prima anos mais tarde, e já com uma paixão por trilhas sonoras aflorada, comecei a notar algumas características peculiares das músicas que passaram despercebidas por mim quando era um capetinha. E, agora, quero compartilhar meu ponto de vista com vocês. Para isso:

Vamos fazer uma análise em conjunto de TODAS as músicas! (ou a grande maioria)

Vamos na ordem: Island Swing, tema das fases de floresta, e da primeira fase do jogo.

Uma música que começa silenciosa e vai ganhando volume, como uma legítima abertura. Conforme a música avança, ela vai ficando mais agitada e com pegada de jazz & blues enquanto você está jogando barris em jacarés e abelhas ou guiando rinocerontes e avestruzes. Porém, aos 1:26, o ritmo alegre dá uma pausa e o que ouvimos a seguir é uma melodia mais tribal e de certa forma melancólico. Estamos só na primeira fase e já estamos assim!

Depois de duas fases com o tema anterior, ouvimos Cave Dweller Concert, tema das fases de caverna.

É justamente por causa dessa música que estou escrevendo esta matéria: a maioria das fases de caverna são curtas ou possuem muitas seções, fazendo com que a trilha seja cortada e você não consiga ouvi-la por completo, mas ouça o tema e preste atenção a partir de 1:37 e principalmente em 2:34. Definitivamente, é um dos trechos mais depressivos que já ouvi em um jogo e já me dava arrepios ainda quando moleque. Ah, e é claro, nem preciso dizer que o eco natural do estágio e os efeitos sonoros de pingos deixam tudo ainda mais sombrio.

Assim que saímos da caverna, nós damos de cara com Aquatic Ambiance e a primeira fase aquática do jogo.

Essa música certamente é a mais reconhecida do primeiro jogo e já ganhou inúmeros remixes e apresentações orquestradas. Então, não vou me estender muito: Ela é simplesmente linda e emotiva.

Após derrotar o primeiro chefe, nós chegamos nas fases das minas e ouvimos Life in the Mines:

Mais um tema que é melancólico do começo ao fim, principalmente com as flautas e a bateria lenta que entra logo depois. Destaque para seu comecinho, que possui sintetizadores que mais parecem gritos fantasmagóricos ao fundo.

Saímos das minas e vamos para o próximo tema: Mine Cart Madness, ou “a fase do carrinho que lhe ceifou inúmeras vidas com pulos absurdos e inimigos te pegando de surpresa”!

Uma sinfonia horripilante para uma fase igualmente difícil se você ignorar o primeiro barril e se jogar no buraco logo adiante, um barril secreto vai te jogar no final da fase… A ponte com instrumento de sopro em 0:52 e o encerramento aos 1:26 são de arrepiar!

Pensa que a vibração sombria acabou? Não! Logo após a fase das minas e a do carrinho, nós passamos por uma fase de caverna e em seguida nos deparamos com Misty Menace:

Não preciso falar mais nada. Essa é, disparada, a música mais assustadora do jogo. As três fases onde essa música toca são escuras, enevoadas e com crocodilos zumbis sedentos por sangue.

Curiosidade: a partir de 1:03, a música toma um ritmo semelhante a Mining Melancholy, de Donkey Kong Country 2. E esta última também compartilha um “refrão” semelhante ao de Rockface Rumble, de Donkey Kong Country 3. Um bom exemplo de interligação musical na trilogia o/

Depois de chegarmos ao fundo do poço, digo, das minas, vemos um pouco da luz do dia e seguimos a Voices of the Temple.

Uma música cheia de suspense, tensão, mistério e obscuridade, criando a ambientação perfeita para uma fase de templo. Melhor uso de instrumentos de sopro em toda a trilha!

Após um chefe e uma fase de selva com um tema até médio-alegre, nós chegamos no topo das árvores com Treetop Rock:

Uma música agitada até, pois suas fases são repletas de barris e plataformas. Mas ao prestarmos atenção no ambiente, notamos que estamos no topo de árvores com pequenas casas, paletas escuras e pequenos pontos de luzes. Seria uma bela atmosfera noir se fosse preto-e-branco.

Avançando mais um pouco, chegamos a Northern Hemispheres, a fase de gelo!

Posso arriscar e dizer que, se Aquatic Ambiance é o tema mais reconhecido do jogo, esse ocupa a segunda posição. Uma linda e fria composição que aumenta sua adrenalina conforme a nevasca se torna cada vez mais forte. E uma fase responsável por muitas vidas perdidas também por causa das inúmeras sequências de barris rápidos e giratórios no seu trecho final! Se você mirar pra baixo no quarto barril, você pegará um barril secreto que te jogará no final da fase e em terra firme! Como não sentir arrepios a partir de 1:09 com o piano e o bumbo? E em 1:39?!

Depois de cruzarmos o mapa de neve, chegamos ao meu tema predileto do jogo: Fear Factory <3

Foi essa música que me tornou um apreciador de techno, drum ‘n bass e industrial. A introdução com o som “elétrico” (sim, aquele barulho que uma fiação sobrecarregada faz), solinho de bateria, a progressão com bateria e marimbas em 0:23 e a finalização com sintetizadores em 0:57… Apenas sinta!

E, pra encerrar a vibe sombria, termino a análise com a música mais alegre do jogo: Gang-Plank Galleon, a do CHEFE FINAL!

Logo ela…

Conclusão

Essa é a minha análise de uma das maiores trilhas sonoras já compostas para um jogo de video-game por um outro ponto de vista que merece ser abordado. Donkey Kong Country e Dave Wise, o rapaz da foto, estarão eternamente consagrados nos meus ouvidos e coração. QUE HOMEM. QUE COMPOSITOR. QUE JOGO!

Bônus

Para entender o potencial da trilha, um fã colocou alguns temas de Donkey Kong Country em cenas de O Poderoso Chefão… E elas ficaram assustadora e maravilhosamente encaixadas!

Espero que tenham gostado dessa primeira análise. Pretendo fazer outras no futuro. Até a próxima! o/

cxgx

Sou um cara qualquer que gosta de bancar o observador do universo. Passo metade do tempo vivendo e a outra metade tentando entender o sentido da vida. Curto jogos, animes, pixelart, quebra-cabeças, sou aspirante a músico e acompanho o time do Flamengo nas horas vagas. Estou sentindo o cheiro do hepta!

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